Posted on 18-09-2009
Filed Under (blog) by Luís F. Alves

Acho que ainda não mencionei aqui no blog, mas quem acompanha o meu Twitter já deve ter dado por isso: o meu sobrinho de dois anos está a passar umas semanas em minha casa.

O puto é uma delícia. É daquelas crianças que transborda energia, que enche a casa. Anda sempre a correr de um lado para o outro, sempre a querer brincar connosco. E melhor ainda, não é daqueles putos insuportáveis com mau feitio. Ocasionalmente lá acorda mal disposto, é verdade, mas em geral anda com um sorriso enorme de boa disposição, e costuma ser obediente. Bom, pelo menos é obediente comigo. Com os outros, nem sempre.

Ele está numa fase particularmente deliciosa. Sempre foi muito curioso por tudo e mais alguma coisa, mas agora que aprendeu a falar minimamente, já nos sabe perguntar as coisas, e dá para ter autênticas conversas com ele, não obstante termos que interpretar alguma fala de bebé aqui ou ali.

Há dias, ele pediu para ver umas fotos dele mesmo que lhe tirei com o meu telemóvel. Procurei as fotos, e passei-lhe o telemóvel para a mão. A primeira coisa que ele fez foi carregar no botão para ver outras fotos.

Dois segundos depois, chega-se a mim todo sorridente.

- Ís, Ís! – Ele já é capaz de dizer Luís, mas habituou-se à forma abreviada, e eu não o corrigo – Ís, babibas!

- Babibas? O que é “babibas”, Rodrigo?

Ele passa-me o telemóvel para a mão, coloca as mãos no peito dele, e repete.

- Babibas!

Eu olho para o telemóvel, e vejo no écran o decote de uma amiga minha, cuja foto tirei há uns tempos por piada.

(E antes que me apontem o dedo, a amiga sabe e aprova, ok?)

Portanto, “babibas” quer dizer qualquer coisa como “maminhas”.

Escusado será dizer que me desmanchei a rir. Ele riu-se também.

A minha mãe ouviu as minhas gargalhadas, e veio ver o que se passava. Eu contei a história. Claro que ela se riu também, e perguntou ao miúdo o que eram babibas, a ver se ele repetia o gesto.

Não repetiu. Muito pelo contrário, encolheu-se, e o riso dele tornou-se um riso algo embaraçado. E mesmo sem deixar de sorrir, recusou-se a voltar a explicar, à sua maneira, o que são babibas.

Isto dá-me que pensar. O miúdo não é tímido ou envergonhado por natureza, e connosco menos ainda. No entanto, depois de eu me rir com o gesto dele, pareceu ganhar alguma timidez relativamente a isto.

Será que ele pensa que nos estávamos a rir dele, em vez de nos rirmos pelo inesperado da situação? É capaz. E tenho pena. É bem capaz de ser à conta de incidentes destes que certas crianças acabam por crescer tímidas.

Gostava de lhe explicar que não, não nos rimos dele. Rimo-nos porque nos surpreendeu, e pela pura delícia de o ver mostrar-nos algo novo que aprendeu.

Infelizmente, por muito que já dê para irmos conversando, essa conversa ainda vai ter que esperar uns anos.

Mas espero tê-la eventualmente.

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