Covers, remakes, e reboots

Posted by | Posted in blog | Posted on 19-08-2009

Para muita gente, a noticia de que o Bryan Singer vai realizar uma versão em filme da Battlestar Galactica (que aparentemente é um remake da série original, não tem nada a ver com a série recente) foi a gota de água. E mesmo eu acho uma péssima ideia.

Mas a verdade é que já andamos todos há muito tempo fartos de remakes e reboots, não andamos? Afinal de contas, parece que hoje em dia quase todas as séries e todos os filmes são alguma espécie de remake/reboot. É como se as ideias originais tivessem acabado definitivamente.

E pior, muitas destas novas versões vêm relativamente pouco tempo depois das versões originais. Tão pouco tempo depois que as originais ainda estão frescas na nossa memória, e consequentemente não podemos ver a versão nova como um obra em si mesma.

E pior ainda: as novas versões são quase todas piores que as anteriores. Há uma ou outra que é melhor, mas são raras.

Isto chateia tremendamente qualquer pessoa, e irrita especialmente os fãs das obras originais!

E eu também tinha este problema. Mas agora, caro leitor, isso acabou!

Quer saber como pode deixar de se irritar com as novas versóes dos SEUS filmes e séries favoritos?

Então venha! Venha comigo! Eu explico-lhe a minha fabulosa e inovadora técnica para aceitar as novas versões, e esquecer que estão a desvalorizar a versão antiga que tanto o/a marcou!

Venha!

O meu segredo é simples, e não é segredo nenhum.

Eu faço por me estar a cagar.

Isto é mais uma questão de reordenamento de atitude que outra coisa. A mim também me chateia quando, por exemplo, anunciam um remake da Buffy, a Caçadora de Vampiros. E SEM o criador original.

Mas depois faço por me acalmar. Vejamos: tomando o exemplo acima, o que é que me irritou no conceito do remake?

  1. O facto de não recorrerem ao autor que é a alma do próprio conceito;
  2. O facto de uma versão nova de certa forma diminuir o “legado” da versão antiga, que me marcou imenso
  3. O facto de ser simplesmente estúpido.

Estas coisas, penso eu, estão na raiz da nossa aversão natural a remakes e reboots. Portanto, analizemo-las.

Eu não gosto de ser previsível nestas coisas, por isso comecemos pelo 2. Isto é treta. Pura e simplesmente. A versão original continua lá, intacta, e teve o impacto que teve. Para a versão nova alterar isso, terá que ser MELHOR que a original. Se for pior, será esquecida em meia dúzia de anos, uma mera nota de rodapé na história da versão original. Cujo impacto permanecerá intocado. Não sei qual foi o autor que, quando lhe perguntaram se não se importava que Hollywood lhe estragasse os seus livros, apontou para a prateleira onde tinha cópias de todos eles, e disse “não, não estragou nada. Olhe para eles ali intactos.” Aqui acontece algo de semelhante.

E se a versão nova fugir a todas as probabilidades e for realmente melhor… Então óptimo! Ganhamos todos! Entretanto, até se saber se realmente é melhor ou não, mais vale ignorar. O Tempo nos trará notícias da verdadeira qualidade da obra.

Quanto ao ponto 1,  é muito particular do exemplo que dei. Na maioria dos casos, não se aplica. E porque aplicaria? A ideia não é fazer uma versão NOVA? Se é para chamar os autores antigos, então estão a fazer a velha outra vez.

Custou-me a ver a coisa desta maneira, mas acabei por me convencer. Um remake/reboot é quase como uma cover de uma música. Novos autores pegam no material antigo, e dão-lhe a roupagem que acham mais apropriada, reinterpretando o material para um novo contexto. É verdade que os mesmos artistas podem reimaginar o seu próprio trabalho, mas é quase sempre menos interessante que o original, e banhada por banhada, mais vale uma banhada diferente que uma igual.

E voltando a bater na mesma tecla, isto também se resolve ignorando o que não nos interessa. Se uma versão nova da nossa canção favorita, que para nós é intocável, entrar no top 10, e se isso não nos agrada, então mais vale ignorar. O prazer que a antiga nos deu continua o mesmo. E só temos que nos sacrificar a ouvir a nova se quisermos.

Finalmente, o ponto 3: é estúpido. Pois é. Quase sempre é. Mas a verdade é que, se não sabemos lidar com as coisas estúpidas da vida, então os remakes e reboots são o nosso melhor problema.

Portanto, faça como eu. Ignore, que a coisa passa. E se gente suficiente ignorar também, a tendência vai desaparecer.

Ignore.

E quando me vir na rua aos berros, ou a partir coisas, porque anunciaram que vão fazer um remake do Evil Dead 2, passado no deserto australiano, com a Angelina Jolie no lugar do Bruce Campbell, e realizado pelo Stephen Sommers, bom… Ignore-me a mim também.

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  1. Bem, em geral eu não tenho problemas com remakes. Não digo com isto que os adore todos, porque sejamos sinceros, há muita 'pastilha elástica' de remake por aí fora.

    Há remakes bons, melhores até que o original, e vem-me imediatamente à mente Battlestar Galactica, e já agora, o próprio Senhor dos Anéis, que (perdoem-me os fãs incondicionais dos livros) saiu bem melhor do que os livros em que se baseou. Isto para mim, e pelo simples facto de que o início da minha leitura do Fellowship of the Ring (e por 'início' quero dizer as primeiras quase 200 páginas) foram o que me fez pela primeira vez na vida parar de ler um livro a meio e nunca mais lhe pegar. (Obrigadinha, não preciso de mais Hobbits a comer, a dançar, e a cantar ;) )

    Anyway, já me estou a afastar do ponto inicial da coisa: remakes. Há bons, e há francamente maus. Quando são maus, e com isto quer eu dizer mesmo maus e não aquelas tretas que originam os queixumes do costume por parte dos fanboys analmente retentivos do tipo 'Não é igual ao original e não puseram as cenas X e Y, buhuhuuhu! É uma porcaria', talvez comente com alguém que é péssimo, mas depois, who cares?

    É quase certo que não vou apreciar o tal remake de Buffy de que falas, mas até me pode surpreender. Quem sabe? Se não gostar, fica com uma etiqueta mental que diz 'trampa de filme – não recomendar a ninguém'.

    Já agora sobre os tais fãs 'analmente retentivos' de que falei, veio-me à mente alguém que se queixou de montes cenas dos livros do LOTR não estarem nos filmes e por isso não gostou. Amiguinhos, se estivesse lá tudo ainda estavamos sentados no cinema a acabar de ver a trilogia há vários anos.

  2. Subscrevo por inteiro :)

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