Na noite de sábado, quase deixei de ser escritor.
Decidi rever um certo filme, pela primeira vez em quase 15 anos. A ideia era fazer pesquisa. O filme tem uma temática comum com o projecto de banda desenhada que tenho vindo a desenvolver nos últimos meses, pelo que achei por bem ver o que eles fizeram para eu poder fazer diferente, mas também ver que pormenores eu poderia aproveitar para enriquecer a minha história. PORMENORES. Coisas “técnicas”, basicamente, que me pudessem poupar alguma pesquisa mais pormenorizada.
Vai-se a ver, e o filme é demasiado parecido com o arco central da minha história. Mudar isso implica mudar completamente a história, e eliminar dela aquilo que me motivava a contá-la. Portanto, não tenho como continuar o projecto nos moldes actuais, e não vejo como possa mudar esses moldes.
Pior ainda, é a terceira vez que me acontece algo do género. Daí o desânimo, e a minha vontade em desistir.
Mas a verdade é que, a esta altura do campeonato, acho que não conseguiria parar de escrever, nem que quisesse. Assim que decidi meter o dito projecto na gaveta, o meu cérebro começou a percorrer as ideias antigas que tenho, para ver se poderia ocupar com alguma delas o espaço mental e de calendário deixado pela outra.
Eu agora funciono assim, pelos vistos. E sinceramente, não quero mudar.
Preciso é de um tempo para recuperar.
Portanto, vou-me dar a mim e ao meu cérebro algum espaço. No momento, o que tenho em mãos é a compilação do Palavras Contadas. Que não ocupa praticamente espaço mental nenhum, é só uma questão de tempo no computador. Depois serão as revisões aos meus dois livros. Aqui já é preciso alguma ginástica criativa, mas mesmo assim não é como se estivesse a criar algo de novo.
No meio disto tudo, tenho o projecto que anunciei anteontem. Esse sim, é criativo, mas é de curta duração, e além disso é feito com outras pessoas, pelo que o esforço é repartido. E muitos dos alicerces da história já estão estabelecidos, qualquer dos casos.
Todas estas coisas levar-me-ão, na melhor das hipóteses, até final de Fevereiro. E quero concentrar-me nelas. Não quero projectos novos. É claro que pode sempre surgir algo de irrecusável entretanto, seja uma ideia a que não resisto ou uma proposta de terceiros a que não posso mesmo dizer não. Nunca se sabe.
Mas o plano é dar-me até final de Fevereiro para terminar estas coisas, e só então começar a pensar em coisas novas.
Até lá, espero recuperar o ânimo que perdi no sábado à noite.