Plágio acidental

Posted by | Posted in blog, escritos | Posted on 19-03-2009

Quem me acompanha no Twitter reparou de certeza que, na passada terça-feira, tive alguns problemas em escrever o conto de ontem do Palavras Contadas.

O que se passou foi o seguinte: Eu estava com poucas ideias, e de horário algo apertado, pelo que decidi inspirar-me numa música para fazer uma história.

Até aqui, tudo bem. Inspirar não é necessáriamente copiar, e a verdade é que já o fiz antes, com bons resultados (é certo que dessa vez baseei-me tanto na música como num episódio da minha vida, mas pronto).

O problema foi que a música que escolhi foi o Woke Up This Morning, dos Alabama 3. Mais conhecida como o tema d’Os Sopranos.

E a parte da música que me inspirou foi o final, e a estrutura básica da letra. Quando dei por mim, tinha escrito uma história que, apesar de mudar os pormenores concretos, era a meu ver demasiado parecida com a letra da música. E por isso, depois de considerar publicá-la com agradecimento, ou mesmo mudar-lhe o final, acabei por decidir não a publicar em si mesma. Mostro-a aqui apenas para ilustrar o que se passou. E porque pronto, eu confesso que acho que estes incidentes criativos são interessantes, e talvez alguém ache também.

Portanto, com as minhas desculpas e agradecimentos aos Alabama 3, aqui está a história que eu teria chamado ”Tudo se vai resolver“: Read the rest of this entry »

Paragens – Ponto de situação

Posted by | Posted in Paragens, blog | Posted on 17-03-2009

“Oh, c’um caraças, lá vem este chatear outra vez com a ‘escrita’ dele. Será que ele não sabe falar de mais nada???”

Já soube, já. Agora parece que ando esquecido. É mais uma coisa para tentar mudar nos próximos tempos.

Qualquer dos casos, sim, hoje venho falar outra vez da minha ‘escrita’. Nomeadamente, do meu primeiro livro, o Paragens, que escrevi em 2006.

De lá para cá, já bastante gente o leu (pelo menos oito pessoas, pelas minhas contas), ninguém disse mal dele, algumas pessoas até disseram bem demais. Toda a gente deu conselhos preciosos, que eu anotei para revisão eventual.

Entretanto, eu já aqui vim prometendo que o traria a público “em breve”, e tal. Mas como se pode ver… Nada. O livro continua desaparecido.

Porquê? É dificil explicar. O meu primeiro impulso é classificar a coisa como preguiça, como falta de vontade para fazer as revisões necessárias. Mas a verdade não é bem essa.

A verdade é que o Paragens foi a primeira coisa que escrevi “a sério”. Foi o primeiro projecto que me empenhei em terminar, e o primeiro para o qual olhei no fim e pensei que “ok, eu afinal consigo fazer isto”. Mesmo não tendo gostado do resultado. Eu nunca gosto do que escrevo quando escrevo.

Apesar disso, com o passar do tempo… Afeiçoei-me ao livro. Não estou convencido de que seja um BOM livro, longe disso. Mas gosto dele, e afeiçoei-me à forma com que está agora. É estranho, mas aconteceu. Custa-me sequer pensar em alterá-lo.

E como apesar de eu me ter afeiçoado a ele, o livro não está em condições para vir a público, simplesmente não veio.

Talvez venha um dia. Talvez, embalado pela onda de re-escrita em que estou agora (estou no inicio da revisão do livro do ano passado), eu me decida a terminar o Paragens ainda este ano. Quem sabe.

Mas acho preferivel não contar com isso para já.

Transporte de animais

Posted by | Posted in Paragens, blog, imagens, net | Posted on 23-02-2009

Isto é para quem leu o Paragens, e criticou o meio de transporte dos porcos por ser inverosímil.

Vacas num carro

(E antes que perguntem, não, não sei para quando o Paragens virá a público. Mas é pouco provável que seja este ano.)

EmoTivo

Posted by | Posted in escritos | Posted on 29-04-2008

Ele guardou a emoção na caixa, para a poder sentir depois, numa altura que lhe fosse mais conveniente.
- És capaz de largar a merda do mp3? – perguntou-lhe Margarida, a agora ex-namorada.
Vítor achou piada, porque era preciso ela ser algo parva para não reparar que o fio que saia da caixa estava ligado à nuca dele, não aos ouvidos. Mas também isso ele guardou, pareceu-lhe que não seria de bom tom rir-se na cara dela, agora que ela finalmente ganhara coragem para acabar a relação.
Não disseram muito mais. Não havia muito a dizer. Ela acusava-o de nos últimos tempos se ter tornado quase um autómato, aparentemente sem sentimentos, e dizia não saber viver com isso. Ele não a censurava. De certa forma, era verdade, ele não sentia as emoções. Ele tinha-as, claro, mas preferia guardá-las na caixa.
Vítor acabou por concordar com ela, e desejou-lhe felicidades. Deu-lhe um beijo no rosto, e seguiu caminho, aparentemente indiferente a tudo. Não estava. Estava até bastante feliz por ter inventado a caixa. Essa emoção, ele permitiu-se sentir.Cheap unsecured personal loan
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Sede

Posted by | Posted in escritos | Posted on 12-11-2007

O rio dela sacia-me a sede, enquanto os meus dedos saciam a dela, perdidos os dois entre o suor que se evapora da nossa pele, e os minutos que nos limitam a união.
Os minutos vencem-nos, deixam-nos vazios de tempo, e ainda cheios de vontade. Ela levanta-se, e o som dos saltos no chão de madeira acorda-me do meu torpor. Tento acariciá-la, mas a barreira de tecido novamente vestido já não me deixa voltar a tocar-lhe. Ela solta o suspiro, o terrivel suspiro que já aprendi a esperar, e devolve a faixa amarela à sua morada na mão dela. O suspiro termina.
Ela sai. Espera até ter a porta aberta para me dizer adeus, não sei se por medo que a convença a ficar, se por necessidade de um ritual que nos afaste. E depois vai-se.
Eu fico. Só, comigo. Sedento.
E continuo só, cercado da minha vida, bebendo as minhas mágoas para que não me afoguem. Ansioso pela vibração certa do rectângulo no meu bolso.
E um dia, mais uma vez, a vibração chega. Traz os minutos que nos limitam, a hora que nos liberta, e o local onde seremos outra vez prisioneiros das nossas liberdades.
Eu chego primeiro. Não gosto de a fazer esperar.
Ela encontra-me deitado, poucos minutos depois. Diz-me olá. Com a boca, não com as palavras. Mas os seus lábios gritam, calados nos meus. Olá.
Ela monta-me, sÎfrega, com a saia pela cintura, e a blusa entreaberta. Rasga os collants na virilha para se partilhar comigo, a sua paciência morta pela espera por este momento.
Não lhe vi cuecas, não sei se as trouxe. Não me interessa. Gemo com ela, dois sons que se tornam um, que voltam a ser dois, o meu mais alto que o dela. Deixo de gemer.
Livrando-se da blusa, agora mero pedaço de pano inútil, deita-se de costas, e pede-me que desça por ela. Eu desço.
Ela volta a gemer, e eu volto a saciar a minha sede.
Eu preciso dela. Preciso que me sacie.
Preciso de sentir um amor que não é meu.

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Círculos

Posted by | Posted in escritos | Posted on 27-10-2007

Vista de certo ângulo, a roda gigante sobrepunha-se ao loop da montanha russa, e pareciam um só. O efeito era bizarro, especialmente quando os carrinhos passavam no loop. Dava a sensação de que montes de pessoas estavam assustadas com a velocidade da roda gigante.
“É estranho ver tanta gente a gritar tão alto por andar tão devagar, não é?” A Ana demonstrava constantemente um enorme talento para adivinhar o que me ia na mente. Neste caso, sem dúvida, teria ajudado eu ter parado a meio do nosso percurso pela feira, por um ou dois segundos, só para observar o fenómeno da fusão dos círculos.
“É muito estranho mesmo. Desculpa, distraí-me…” A minha voz traiu algum embaraço. Nem sequer me lembrava do que estávamos a falar antes. Mas ela não pareceu dar grande importância a isso. Read the rest of this entry »

Brevemente disponível…

Posted by | Posted in Paragens, blog | Posted on 23-10-2007

Só falta mais uma semaninha ou duas, prometo…

“Diz-me algo de porco”

Posted by | Posted in escritos | Posted on 16-10-2007

“Diz-me algo de porco”, brilharam as palavras dela no computador, enquanto ele livrava a sua zona pélvica do fardo metálico do seu fecho éclair. Read the rest of this entry »

Luta

Posted by | Posted in escritos | Posted on 11-10-2007

(desafio #3)

A Vida é o derradeiro jogo de múltipla escolha.
Caso concreto: Eu, sentado ali ao balcão.
Mesmo a esta distância, aqui do fundo do bar, consigo ver que, junto ao balcão, estou completamente bêbedo. Mais, sei exactamente o que vai acontecer a seguir. Uma de duas coisas. Múltipla escolha.
Eu já passei por isto antes.
Pelo que me lembro, a cena a que estou a assistir passou-se originalmente assim (e já foi há uns tempos que a vivi, por isso posso falhar num ou outro pormenor; mas duvido): Eu tinha ido a um bar com uns amigos, para celebrar o aniversário de um deles. Bebi demais, e como acontecia ocasionalmente, o meu mau feitio veio à tona, e acabei por me chatear com eles. Eles seguiram para outro lado, eu fiquei no bar.
O que nos traz ao momento a que estou a assistir agora. “Eu” estou no bar, bêbedo, e prestes a decidir se vou simplesmente pedir mais um whisky, ou se vou tentar roubar o do tipo sentado ao meu lado, que está distraído a tentar engatar a mamalhuda ao lado dele.
Eu já não bebo whisky, para ser sincero, mas no momento a que estou a assistir, ainda bebia.
Mas agora, no MEU agora, já não bebo. Por isso pedi só um ice tea. Que me foi servido pela mesma empregada que há minutos me serviu a “mim”, no balcão. Ela não deu pela semelhança. Não leva gorjeta.
E pronto, eis que “eu” fiz asneira. Tentei roubar o whisky. O marmanjo não gostou, claro, e está a protestar e a dar-”me” empurrões. “Eu” rio-me, fingindo ignorar o outro, e tentando beber o whisky. O marmanjo farta-se, e empurra com mais força. O copo entorna-se, sujando a “minha” camisa. E “eu” passo-me. Dou uma cabeçada no marmanjo, e sangue salta do nariz dele. O que não o impede de “me” pregar um valente murro, atirando-”me” para o chão, onde começo a receber pontapés dele.
É pena. Eu tinha esperança que “eu” tivesse tomado a opção certa. Algures perdido na Realidade, tomei, e passei o resto da noite sem problemas. O resto da vida, também. Aqui, à conta de um biqueiro mais certeiro, vou receber uma ruptura no estÃŽmago da qual nunca vou poder recuperar completamente.
Lembro-me exactamente do pontapé que foi, aliás. Esse tipo de dor não se esquece com facilidade.
O biqueiro em questão está a chegar, mas ainda não chegou.
Eu levanto-me, abandonando o meu ice tea, e dirijo-me ao marmanjo, atravessando o bar por um ângulo pelo qual ele não me verá. Retiro um cano metálico de dentro do casaco, e quando chego perto dele, golpeio o marmanjo no crânio. Ele cai, e eu dou-lhe mais um ou dois golpes com o cano. Ele geme, rebolando-se no chão, agarrado à cabeça dorida. O biqueiro fatal, portanto, não será dado.
No bar inteiro, ninguém reage. Pequenos conflitos são normais, mas a aparição subita de um terceiro elemento espantou toda a gente. Antes que alguém se decida a tentar algo, eu largo o cano, e apresso-me a sair do bar. O meu trabalho aqui está feito.
É assim que se ganha num jogo de múltipla escolha: Fazendo batota.

No sotão

Posted by | Posted in escritos | Posted on 09-10-2007

(desafio #2)

Eu já tinha percorrido aquele sotão centenas de vezes, mas jurava que nunca lá tinha visto aquela arca. Ainda me detive a pensar sobre o assunto, mas acabei por deixar de lado o aspirador, e terminar de abrir a tampa da caixa, que claramente não estava trancada.
Não havia quase nada lá dentro. Só mesmo um monte do que pareciam ser cartas, presas por um cordel velho.
Escusado será dizer que as abri.
Estranhamente, as cartas não estavam dirigidas a ninguém. Os envelopes estavam em branco, e os textos eram apenas assinados com a letra H. Mais estranho ainda era o facto de as cartas parecerem recentíssimas. A caligrafia denotava uma precisão e elegância pouco comum actualmente, mas o papel aparentava ser novo, como se tivesse sido acabado de usar.
Os textos em si eram ainda mais bizarros. Páginas atrás de páginas com promessas de fortuna fácil, felicidade eterna, plenitude, etc.. Mas sem nenhuma explicação de como obter nada, somente referências crípticas ao “processo”. Read the rest of this entry »